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Ciberativismo: clique aqui para salvar o mundo

Por Daniela Braun editora do IDG Now! e Cauã Taborda especial para o IDG Now!*
Publicada em 05 de setembro de 2007 às 07h00
Atualizada em 18 de setembro de 2007 às 21h04

Tags: Internet, Sites

São Paulo – Com um clique é possível plantar uma muda de árvore ou assinar uma petição contra o desmatamento da Amazônia. Conheça o ciberativismo.

Colaboração, um dos sinônimos da Web 2.0, não é um termo novo para os ativistas. Com a popularização da internet, em meados da década de 90, a facilidade de conectar pessoas de diversas partes do mundo, promover discussões e mobilizá-las mais rapidamente por um causa ambiental, social ou política deram origem ao ciberativismo.

Hoje, a grande rede oferece uma série de canais e ferramentas para quem deseja abraçar uma causa. Com um clique é possível plantar uma muda de árvore no Brasil, enviar um e-mail direto ao primeiro ministro do Iraque, ingressar em uma regata rumo a Guantánamo, assinar uma petição contra o desmatamento da Amazônia, enviar sua foto em uma campanha mundial contra o desarmamento ou organizar uma manifestação em praça pública de um milhão de pessoas.
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Com mais de 60% de seus colaboradores vindos da internet, a organização não-governamental Greenpeace pratica o ciberativismo desde 1998. "Naquela época, nós passávamos as mensagens para nossas listas pessoais e todo mundo mandava do seu próprio e-mail direto para o presidente [da República]. Se podíamos passar correntes de orações, poderíamos também mandar mensagens para um político pedindo que ele fizesse seu trabalho em prol do meio ambiente também", lembra Mariana Schwarz, gerente de marketing de relacionamento do Greenpeace Brasil.

Com o suporte de uma ação virtual, segundo Schwarz, em 2006, o Greenpeace colaborou para a criação da "Moratória da Soja", que impede a comercialização da soja cultivada em áreas de desflorestamentos no Bioma Amazônico. Por meio das filiais européias da ONG, foram enviadas cópias do relatório "Comendo a Amazônia" para pressionar a rede McDonald´s, que na época comprava soja cultivada na região pela Cargill. "Isso resultou em um acordo entre o McDonald´s e a Cargill para que, durante dois anos, não se plantasse soja na Amazônia, que é um dos principais vetores de desmatamento da nossa floresta", conta.

David de Ugarte, economista e ciberativista espanhol, lembra de outro caso ocorrido recentemente na Grécia, onde milhares de pessoas foram mobilizadas via mensagens SMS para protestar contra a gestão dos incêndios que assolaram o país neste verão.

Autor do recém-lançado livro "O poder das redes" ("El poder de las redes") - segundo ele, um manual colaborativo de ciberativismo escrito a partir de discussões em seu blog e de sua experiência no movimento ciberpunk espanhol – Ugarte afirma que, mais do que os próprios incêndios, as mobilizações na Grécia reduziram as expectativas eleitorais do atual governo daquele país.

"Ao ver cada vez mais gente nas ruas, muitos eleitores estão perdendo o medo (...). Isso, por sua vez, parece ter gerado uma massa crítica opositora, que se sobrepõe aos partidos de oposição, incapazes por si mesmos de capitalizar e levar adiante o processo" avalia.

A internet, na visão de Ugarte, é uma ferramenta poderosa de mobilização, mas reflete um movimento que já se estruturava naturalmente em rede. "Se as redes das quais falamos são as que fazem as pessoas se relacionarem umas com as outras, a sociedade sempre foi uma rede. E se falarmos dos movimentos de ativistas, eles também sempre estiveram aí, relacionando-se uns com os outros em uma espécie de universo ‘hiperativo’ e paralelo", comenta na apresentação de seu livro, finalizado em 29 de agosto, que conta com uma versão online e outra em papel.
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