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Steve Wozniak: a era do computador não acabou

Por Peter Moon, especial para o IDG Now!
Publicada em 18 de julho de 2007 às 07h00
Atualizada em 18 de setembro de 2007 às 21h04

Tags: Hardware, Desktop PCs, Apple, Estratégia, Carreira

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Você conta na sua autobiografia que quando conheceu Steve Jobs notou que vocês possuíam personalidades complementares. Você era o técnico enquanto ele tinha a visão de negócios; você era tímido e ele, extrovertido. Quando e como se conheceram?
Foi no início dos anos 70, nos meus anos de faculdade, quando ele ainda estava no colegial. Eu já projetava computadores e um amigo me disse: você precisa conhecer o Steve Jobs, porque ele gosta de eletrônica e também gosta de fazer piadas. Então fomos apresentados. Nós adorávamos eletrônica e também adorávamos tentar conectar chips. Muito pouca gente, especialmente naquela época, fazia qualquer idéia do que eram os chips, como operavam e o que podiam fazer. Como eu tinha projetado diversos computadores, estava à frente dele nessa área, mas assim mesmo tínhamos interesses em comum. Tínhamos uma atitude independente com relação às coisas do mundo, pensávamos por nós mesmos e éramos inteligentes o suficiente para não ir atrás das idéias que estavam na moda, como a contracultura. Steve tinha pouca ligação com a contracultura e eu era totalmente alheio a ela.

Vocês ainda são amigos? Ainda trocam idéias sobre tecnologia?
Sim, ainda somos amigos. Conversamos com freqüência, mas não tanto sobre tecnologia quanto antes.

Quando assisti ao filme Piratas do Vale do Silício, de 1999, fiquei com a impressão de que você era o único cara do bem no meio de um monte de gente do mau...
É claro que para alguns essa visão procede. Pode parecer assim, porque algumas vezes é preciso tomar certas decisões de negócios para fazer as coisas funcionarem. Acontece que eu era apenas o único cara que não estava fazendo aquilo colocando o dinheiro em primeiro lugar. Eu queria fazer coisas legais, bons produtos para ajudar as pessoas. Nunca deixei o dinheiro ditar o caminho para onde eu iria. Não queria assumir uma atitude crítica nem forçar o pessoal da empresa a trabalhar. Queria que cada um deles vivesse sua própria vida. Realmente, não me importava que outras pessoas achassem as minhas idéias melhores do que as delas. Eu desejava que o pessoal que trabalhava com a gente quando abrimos a Apple fosse recompensado caso não possuíssem a ações da empresa. E ajudei-os muito nesse sentido, principalmente com as minhas próprias ações.

Por que você saiu da Apple?
Sendo o tipo de engenheiro que sou, eu projetava coisas do meu próprio jeito, trabalhando sozinho. Mas a companhia havia crescido até o ponto de ter organizado um departamento de engenharia. Ainda assim, eu podia circular pela empresa e fazer qualquer projeto que desejasse. Mas queria trabalhar com gente de fora, fazendo novos produtos, fazendo coisas para mudar o mundo. Na verdade eu jamais saí da Apple. Apenas fui criar novas empresas e permaneci como empregado. Nunca deixei de ser empregado da Apple. Até hoje recebo um pequeno cheque todos os meses.

Estou errado quando penso que Steve Jobs voltou-se para o lado escuro da força, quando começou a exigir demais dos funcionários, usando para isso inclusive o artifício da humilhação?

Com freqüência ele agiu com muita inteligência para fazer prevalecer a sua visão no meio de um monte de pessoas muito qualificadas que trabalhavam na empresa quando criamos a Apple. Fez isto porque muito poucos viam as coisas numa perspectiva tão ampla quanto ele. Percebe? Ele simplesmente tinha que perseguir e alcançar grandes feitos dentro de um cronograma muito apertado. Ele agiu do seu próprio jeito porque não estava trabalhando sozinho, como era o meu caso. Ele tinha que forçar as pessoas ao máximo. A visão que ficou foi que ele estava apenas competindo para ser o cara mais poderoso da paróquia ou que procurava ser a grande força oculta por trás de tudo o que se fazia. O que está feito está feito, e o mundo ficou melhor assim.

Você ainda acredita que a Apple estava certa em não licenciar o sistema operacional do Macintosh?

Isso é muito difícil de dizer, mesmo hoje. Pense no iPod e o que ele significa para a Apple em termos de dinheiro. Para fazer da Apple uma companhia tão importante no setor de computadores, nós tínhamos que fazer muitas escolhas. Se a Apple tivesse licenciado o seu sistema operacional, ainda assim nós teríamos nos tornado tão grandes e tão bons na criação de grandes produtos? Não se pode olhar para trás e decidir como teria sido o futuro da empresa. Teria dado certo? Não vale a pena perder tempo com isso. Com isto quero dizer que a Apple fundamentou algumas decisões importantes sobre boas razões. O nosso maior patrimônio advém da lealdade dos nossos consumidores, e muito dessa lealdade deriva de pessoas que acreditam no que é a Apple: uma empresa faz tudo, o sistema operacional, o hardware, os aplicativos, os serviços. É o sucesso e a grandeza dos produtos que estão em questão quando se tem o controle sobre todos os aspectos do computador.
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