Idg Now 10 anos

10 anos de tecnologia em primeiro lugar


Reportagens

Steve Wozniak: a era do computador não acabou

Por Peter Moon, especial para o IDG Now!
Publicada em 18 de julho de 2007 às 07h00
Atualizada em 18 de setembro de 2007 às 21h04

Tags: Hardware, Desktop PCs, Apple, Estratégia, Carreira

Continuação da página anterior


Acredita que os criadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, são os representantes atuais daquilo que você, Steve Jobs e Bill Gates representavam no final dos anos 70? Ou será que os próximos gênios da tecnologia serão chineses?
Não estou a par do que está acontecendo na China, comparado, por exemplo, com o Google. Dito isso, eu diria que nesse exato instante o melhor equivalente seria o Google. Não estou dizendo os seus criadores, mas a empresa Google. Ela conseguiu uma boa dianteira, mas quando algo novo aparece, pode surgir em qualquer lugar no planeta. Baseado em todas as evidências, o Google não está puramente sentado em cima dos seus louros. Seu sucesso se deve aos seus grandes aplicativos e ao modo como os combinam de forma brilhante. Fico imaginando como será que eles fazem para mantê-los funcionando. Eles têm feito um trabalho incrível.

Você se descreve como um inventor e um engenheiro. Quais são as suas invenções mais recentes?
A última minha invenção é uma chave programada para o Segway, que é um dispositivo de transporte sobre duas rodas. É um projeto modesto, mas eu o fiz usando os mesmos padrões que empregava nos velhos tempos. Além disso, faz alguns anos tive uma start-up que desenvolveu um sistema de monitoramente via GPS. E no final dos anos 80 desenvolvi um controle remoto que foi o primeiro controle remoto universal da história.

Quais dos seus inventos você mais se orgulha?
Acredite se quiser, o que eu mais adoro é a chave programada do Segway, ao lado do drive de disco flexível do Apple II – eu o fiz de modo incrivelmente rápido e totalmente diferente de qualquer um produzido antes dele. Eu o projetei do jeito mais perfeito que poderia ser.

O Apple II foi provavelmente a minha maior invenção. Tive um monte de idéias malucas sobre como transformar coisas que eram muito complicadas, tornando-as muito simples e com um custo muito baixo, reunindo tudo num único computador. Havia muito mais coisas num único computador do que qualquer um poderia esperar. Ao fazê-lo, criei o padrão de como o computador pessoal seria daí por diante. Ao lado do Apple I, ele mudou o mundo dos computadores, até então formado por máquinas feias e impessoais. O mundo mudou naquele dia e nunca mais foi o mesmo.

Também inventei o terminal de vídeo para o Apple I, com o qual podia acessar a antiga Arpanet, a ancestral do Internet de hoje em dia. Desenvolvi ainda um vídeo game para o Atari num curtíssimo espaço de tempo e projetei um game para o meu celular. Nos anos 70, antes da Apple, eu montava dispositivos para fazer ligações de graça para todo o mundo através de emissão de sinais sonoros pela linha telefônica. Desenhei um monte de chips para as calculadoras científicas da HP. É difícil resumir. A lista é longa. Minha vida como engenheiro foi repleta de desafios, apesar de eu ter reduzido o ritmo lá pelos 30 anos.

Ouvi falar que você se interessa por robótica, é verdade?
Sim, é verdade.

Pessoalmente, tenho visto surgir robôs assustadores, em especial aqueles desenvolvidos para o Pentágono. Eles se locomovem como se estivessem vivos de verdade. Você acha que a era do Exterminador do Futuro está próxima?
Ela está se aproximando, mas muito lentamente. Estas máquinas que parecem andar usam dispositivos especiais de balanceamento. O modo como o ser humano anda é praticamente impossível de copiar. Então, essa aproximação acontecerá um pequeno passo de cada vez. Todos estes robôs irão fazer muito bem apenas uma única coisa, mas nunca iremos ver um robô fazer uma xícara de café, nunca! Eu não acredito que veremos isso algum dia.

Espero que você tenha razão.

Pense nos passos que um ser humano precisa dominar para fazer uma xícara de café e verá que eles cobrem basicamente uns dez, vinte anos de aprendizado. Para um computador fazer a mesma coisa ele terá que passar pelo mesmo aprendizado, andando até sua casa usando algum tipo de sistema óptico de visão, abrindo a porta da maneira correta, virando para o lado errado, retrocedendo, procurando pela cozinha, detectando onde está a máquina de café, colocando o filtro de papel, sabendo como ligá-la, o que muda de um modelo para outro... Não se podem programar essas coisas, é preciso aprendê-las, é preciso olhar como outras pessoas fazem café. É este o tipo de lógica que o cérebro humano realiza para fazer uma xícara de café. Nunca veremos surgir a inteligência artificial. Pense no seu cachorro ou no seu gato. Eles são muito mais espertos do que qualquer computador.
Tags mais frequentes
Publicidade

Podcast

Osvaldo de Oliveira relembra entrada da Microsoft na era da internet.

Veja Mais

Personagens

Quer dar sua sugestão para
essa lista? Clique aqui.

Veja Mais

Enquete

Qual o principal hardware dos últimos 10 anos?

BlackBerry

iPod

iPhone

XO

Wii

Ver resultado