São Paulo - Conheça sete empresários, da novíssima geração, que estão explorando a nova web para ganhar dinheiro online.
Na primeira fase de investimentos online, tivemos Davi Filo, Jerry Yang, Jeff Bezos, Steve Case e Marc Andreesen. Mais recentemente, uma geração liderada por Larry Page e Sergey Brin e composta por Janus Friis, Niklas Zennstrom, Philip Rosedale e Jimmy Wales driblou a desconfiança do mercado com novos modelos de negócios.
O que podemos esperar então da nova geração de empreendedores? Precavidos com o estouro da bolha, beneficiados por novas maneiras de ganhar dinheiro e cercados pela crescente competição em uma nova espécie de corrida do ouro digital, novos empreendedores recém-saídos da faculdade apostam em serviços online sem a opulência de outrora.
O IDG Now! separou sete exemplos destes novos empresários digitais que vêm surfando na retomada do investimento online.
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Twitter - Evan Willians
O ditado de que “um raio não cai duas
vezes no mesmo lugar” vai se mostrando uma furada no mercado de
internet. Depois da dupla ibérica Niklas Zennstrom e Janus Friis,
responsáveis por Skype, Kazaa e Joost, é Evan Willians que também
merece a designação de empreendedor serial.
Foi Willians que, em
1999, junto à então sócia Meg Hourihan na PyraLabs, colocou no ar a
primeira versão do Blogger, serviço de blogs que trazia funções
simplificadas para a época, como inclusão de links e preview de posts
antes da publicação.
O Blogger foi vendido para o Google em
2003, que ajudou à intregar sua base de usuários com a plataforma
AdSense de propaganda. Mas, no ano seguinte, Willians deixou o gigante
de buscas para montar um novo serviço voltado à ascensão do podcast.
O
Odeo, lançado no ano seguinte, teve fracos resultados. Foi com outra
inovação na publicação de texto escrito de usuários que Willians voltou
à projeção obtida pelo Blogger.
Ao invés dos textos elaborados
do serviço original, porém, o novo Twitter, lançado em 2006, pede
objetividade. Em uma rede social, usuários trocam mensagens curtas, que
podem ser publicadas ou recebidas por telefone celular, descrevendo o
que estão fazendo naquele momento.
Impulsionado pela mistura
entre penetração de celulares e smartphones e popularidade crescente de
redes sociais, o fenômeno do microblogging vem ganhando corpo também
pelas aplicações elaboradas pela comunidade principalmente pelas APIs
oferecidas pelo Twitter.
Facebook - Mark Zuckerberg
O Facebook nasceu como um
serviço onde universitários poderiam encontrar antigos colegas dos
tempos de faculdade em uma mesma rede social.
Em seus apenas
três anos de vida, no entanto, o Facebook se tornou muito mais que uma
reunião digital de antigos colegas, a começar pelo tráfego: com seus 30
milhões de usuários, o serviço fica atrás, em audiência, apenas do
MySpace, do News Corp.
O número não é tão assustador se
comparado aos 60 milhões de usuários do Orkut, rede social do Google
que virou obsessão apenas entre brasileiros e indianos. Por que então o furor?
O Facebook não é uma rede - são várias. Enquanto o Orkut
permite comunidades, o Facebook faz a triagem de sua base de usuários
conforme diversas categorias, o que já não faz do serviço ponto de
encontro apenas de universitários saudosos.
Bolado por Mark
Zuckerberg, o Facebook é um foguete em ascensão: além de ter o maior
álbum online entre norte-americanos, com mais de 1,8 bilhão de
documentos, o tráfego da rede mais que dobrou (126%) na comparação
entre os meses de abril de 2006 e 2007, segundo a Hitwise.
Além
dos 37,5 milhões de dólares levantados em capital de risco entre 2005 e
2006, o sucesso do Facebook entre usuários norte-americanos provocou
boatos sobre uma possível venda da rede para grandes conglomerados.
O
preço previsto por analistas para a venda, segundo boatos de mercado?
Nada menos que dois bilhões de dólares, no que seria a maior compra da
chamada Web 2.0.
Zuckerberg, no entanto, já manifestou seu
interesse em não vender o Facebook, cujo crescimento deve se manter com
a divulgação de APIs para o desenvolvimento de aplicativos por
terceiros para a rede.
Tech Crunch - Michael Arrington
Com um longo
histórico no Vale do Silício na época dos voluptosos IPOs de
tecnologia, Michael Arrington está longe de ser considerado um novato
no mercado de tecnologia. Mas foi com sua mais recente aposta que
Arrington se tornou um novo empresário do Vale com enorme potencial.
Ao
invés de ser mais um jovem recém-formado com brilhantes idéias para
montar uma start-up, Arrington moldou sua rede de blogs, com nomes
terminados em Crunch e liderados pelo TechCrunch, ao redor dos novos
empreendedores, a partir de 2005. A Wired, tradicional revista de tecnologia, o chamou de "a voz mais alta do Silicon Valley".
Pelo misto entre proximidade
com grandes investidores da região, informações privilegiadas e grande
procura por parte de novas start-ups, Arrington fez do seu TechCrunch
ponto de partida para novas empresas na região.
Melhor ainda:
com estruturas ainda menores que a da Gawker Media, de Nick Denton,
Arrington fatura cerca de 200 mil dólares mensais com seus cinco blogs
Crunch (mais três versões regionais do techCrunch), segundo cálculos
feitos pela revista Wired, baseado majoritariamente em programas de
propaganda.
Segundo planos de Arrington revelados para a
revista, a escalada deverá ser mantida com mais 20 blogs disponíveis
nos próximos 18 meses, o que daria não apenas estrutura para que o
TechCrunch e sua rede afiliada bata de frente com a grande mídia, como
também exploda o faturamento da rede de blogs.
Meebo - Seth Sternberg
Em
uma época em que softwares do desktop começam a invadir a internet, a
idéia de integrar comunicadores instantâneos em um serviço online
parece óbvia agora que o Meebo já tem seu (grande) público formado.
O
responsável pela integração foi Seth Sternberg, que abandonou seu
emprego na IBM, enquanto atendia a um curso de negócios em Stanford
para fundar a Meebo com as sócias Elaine Wherry e Sandy Jen.
Mais
do que apenas uma maneira de driblar restrições a mensagens
instantâneas em redes corporativas ou escolares, o Meebo pede apenas
uma inscrição para que usuários acessem diversas contas de mensageiros.
Além
do financiamento de 3,5 milhões de dólares em capital de risco
arrecadado até o começo de 2007, o Meebo conta com uma ótima vantagem
mercadológica: a falta de competidores.
Como depende de serviços
já estabelecidos, o Meebo tem seu modelo de acesso baseado em uma
espécie de simbiose com comunicadores como MSN Messenger, da Microsoft,
Yahoo Messenger, Google Talk ou AIM, da AOL, o que ajudou bastante a
atingir sua base mensal de 5,5 milhões de usuários.
Isto não
significa se restringir às mesmas funções dos softwares originais - o
Meebo vem implementando novidades como salas conjuntas de bate-papo ou
widgets que podem ser integrados a blogs ou redes sociais para
facilitar a comunicação entre usuários.
YouTube - Chad Hurley e Steve Chen
Não há como não pensar nos novos empreendedores da internet e não focalizar a expressão alegre de Chad Hurley e Steve Chen ao anunciarem a venda do seu site, o YouTube, para o Google, em outubro de 2006.
A razão para tantos risos era evidente - além da estrondosa cifra de 1,65 bilhão de dólares recebidos do Google, o YouTube era o primeiro grande serviço da chamada Web 2.0 a atravessar a fronteira que separa uma potencial boa idéia de um sucesso comercial.
Não que o YouTube alimente a já polpuda receita do Google. Pelo contrário boatos de mercado apontam que, na época da compra, os 100 milhões de vídeos reproduzidos pelo YouTube consumiam quase 1 milhão de dólares mensais apenas de banda.
Mas a gigantesca base de usuários do serviço dá ao Google a plataforma ideal para que o buscador não apenas estenda sua rede de links patrocinados AdSense, mas também comece a experimentar outros formatos de propaganda, como comerciais antes de clipes, por exemplo.
Nem Google nem YouTube, porém, comentam informações financeiras sobre o serviço de vídeos - assim como faz com todas suas aquisições, o Google mantém a estrutura do YouTube como uma empresa “independente”.
Os co-fundadores do YouTube se conheceram enquanto trabalhavam no sistema de pagamento online PayPal - Hurley era designer, enquanto Chen cuidava de assuntos técnicos.
Ao notar a dificuldade que tinham em compartilhar um vídeo feito entre amigos, a dupla começou a bolar o serviço de vídeos após o expediente do PayPal - a primeira versão do YouTube foi ao ar em 2005.
O extenso catálogo formado pela contribuição de sua crescente base de usuários provocou, somado à facilidade em publicar, compartilhar e reproduzir obras, uma explosão no tráfego ao YouTube - além de problemas legais ao site pela publicação de material que viola direitos autorais.
Em recente anúncio para lançar versões regionais do YouTube em nove línguas diferentes (português, inclusive), Chen e Hurley admitiram estar focados em aumentar o acesso ao YouTube em outros gadgets e mídias que não apenas o navegador no PC.
Os primeiros resultados já começam a aparecer: além do suporte nativo no iPhone e no AppleTV, ambos da Apple, o YouTube já aparece integrado a telefones celulares e câmeras digitais.
Digg, Revision3 e Pownce - Kevin Rose
Reza a lenda que Kevin Rose, então com 26 anos, sentou-se pra almoçar com Rob Malda, fundador da popular comunidade geek Slashdot, para sugerir-lhe que os usuários começassem a votar em quais notícias seriam as mais importantes.
Malda não aceitou a sugestão. Em 2004, Rose colocou no ar seu Digg com uma simples proposição: são os usuários que publicam e votam nas notícias, fazendo com que as mais interessantes (e, logo, mais votadas) escalem à página inicial do serviço.
Copiada à exaustão por concorrentes como o portal Netscape, o Digg também fez de Rose não apenas um dos novos empreendedores mais badalados da Web 2.0, mas também uma espécie de celebridade online.
Além do visual de jovem descolado, sua função de celebridade se mistura à de empreendedor no Revision3, fundado em 2005, com o investimento de um dos principais empreendedores de velha guarda: Marc Andreessen, criador do Netscape.
O Revision3 se define como o primeiro canal de TV para internet no mercado - são 14 séries online, majoritariamente concentradas em tecnologia e cultura geek, que têm como carro-chefe o DiggNation, em que Rose e Alex Albretch comentam as notícias mais votadas no Digg naquela semana.
Se nem o Digg nem o Revision3 pareciam bastante, Rose resolveu apostar suas fichas também no fenômeno conhecido como microblogging com o Pownce, claro rival do Twitter.
O serviço, lançado no final de junho, promete oferecer uma maneira mais fácil de usuários compartilharem documentos, como músicas e livros, e mensagens curtas (especialidade do Twitter) para seus amigos filiados à sua rede social.