Reportagens
Como a Mozilla construiu uma comunidade de 500 mil seguidores
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 07 de julho de 2007 às 13h56
Atualizada em 18 de setembro de 2007 às 21h04
Tags: Carreira, Internet, Browsers, Microsoft, Google, Gerenciamento de equipe
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Foi assim, por exemplo, que a Fundação Mozilla estampou duas páginas inteiras do tradicional The New York Times no dia do lançamento do Firefox 1.0, em 2004. Segundo Asa, a meta inicial de coletar 100 mil dólares para a empreitada foi dobrada em três semanas graças à contribuição da comunidade pelo site SpreadFirefox.
Como retribuição, o nome dos 50 mil membros que participaram da doação foram estampados no anúncio, formando o logo do navegador com o panda vermelho circundando o globo terrestre em preto e branco.
É pelas mãos da comunidade também que o Firefox ganha passeatas com jovens fantasiadas em Tóquio, uma grande reprodução do seu logo em uma plantação em Oregon ou que quase 100 mil de blogueiros estampam os banners do navegador em seus diários na tentativa de convencer seus leitores.
Na noite anterior à entrevista, cerca de quinze pessoas bolavam estratégias para incentivar a adoção do Firefox no mercado brasileiro.
Eram Dotzler e Batson que organizavam o encontro listando possíveis melhorias do suporte do navegador no Brasil ou ações de marketing improvisado, distribuindo as tarefas conforma o interesse de cada um dos presentes.
Na pauta, distribuições de CDs em regiões de venda de eletrônicos, fabricação e distribuição local de camisetas da Mozilla, concursos de grafite e até mesmo práticas de marketing de guerrilha em programas de TV para aumentar o apelo do navegador entre os brasileiros.
Dotzler metralha os desenvolvedores com questões sobre maneiras de atingir o usuário médio brasileiro e fazendo piadas claramente inspiradas no estilo de vida norte-americano (“imagina pintar o logo do Firefox no corpo e sair correndo pelado em um jogo de futebol?”, brinca) e vai conseguindo respostas aos poucos. No fim, parece satisfeito pelas respostas que obteve. Colocá-las em prática, porém, é outro assunto.
O próprio desfecho para o comprometimento da comunidade passa longe dos coquetéis com grandes executivos ou brindes corporativos que povoam eventos para clientes.
“Muitas pessoas fizeram o Firefox e, se eu posso passar um tempo felicitando todas, ótimo. Se não rolar, você trabalha duro e pode achar que ninguém liga pra você se não há, no mínimo, alguém para dizer obrigado”.
A abordagem exageradamente humana integra uma visão de mercado da Mozilla que Dotzler sintetiza, junto à comparação com a internet, com um batido ditado nascido muito antes da grande rede.
“Estamos felizes em perder controle e deixar pessoas felizes com esta responsabilidade. Gostamos do caos. Diz o ditado que duas cabeças funcionam melhor que uma”. Imagine, então, 500 mil cabeças.

