Idg Now 10 anos

10 anos de tecnologia em primeiro lugar


Reportagens

Como a Mozilla construiu uma comunidade de 500 mil seguidores

Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 07 de julho de 2007 às 13h56
Atualizada em 18 de setembro de 2007 às 21h04

Tags: Carreira, Internet, Browsers, Microsoft, Google, Gerenciamento de equipe

Continuação da página anterior


Com seus 3,5 milhões de usuários, o Brasil está um pouco abaixo disto (13%), enquanto países desenvolvidos, como Eslovênia e Finlândia, chegam perto de atingir metade do mercado.

“Estamos enfrentando a maior empresa de software de mundo que tem recursos ilimitados, mais de oito mil funcionários e podem se vangloriar de gastar meio bilhão de dólares em um mês para o marketing de Vista”, afirma Dotzler.

Do lado da Mozilla está também o principal antagonista da Microsoft na internet: o Google, que não apenas paga ao Firefox pelo uso do seu sistema de busca no browser (assim como também faz o Yahoo e outros), mas também ajuda a distribuir o software pelo Google Pack.

“Toda evolução acontece. Agora, é vez da internet. Relaciono sucesso pela maneira como uma empresa se assemelha com a web e o Google trabalha exatamente como a internet. O Google é a Microsoft da vez”, resume.

A comunidade

Mesmo com as contribuições (Dotzler se apressa em esclarecer que o pagamento começou a vir bem depois da decisão de usar os sistemas de busca), a Mozilla está longe de alcançar a verba milionária e as dezenas de engenheiros da Microsoft.

E é aí que entra a definição de Dotzler, repetida exaustivamente, sobre o funcionamento da Mozilla parecer com a internet.

Enquanto a MSDN exige uma taxa anual para que programadores certificados tenham acesso a cópias de testes de softwares, a comunidade Firefox não exige matrículas, pré-requisitos ou habilidades pontuais.

Por mais que uma pequena equipe coordene o desenvolvimento, a programação e os testes de cada nova versão do Firefox são realizados por cerca de 500 mil programadores e usuários de testes espalhados pelo mundo.

Uma das facetas do processo é sua maior segurança: ao invés de divulgar correções de software com um prazo  fechado (como a Microsoft faz com seu pacote mensal de atualizações conhecido como Patch Tuesday), a própria comunidade se mobiliza para corrigir brechas de segurança e divulgar pacotes de correção (com o aval da Mozilla) o quanto antes.

Ao invés de restritas, todas as mudanças e propostas de alterações são públicas e passíveis de debates nas listas de discussão e wikis mantidas pela Mozilla para que a comunidade participe.

Versões de testes são oferecidas em servidores FTP abertos e não há qualquer mistério de marketing quanto ao lançamento dos próximos softwares: além do cronograma público, a Mozilla já oferece, por exemplo, as primeiras versões do Firefox 3, programado apenas para final do ano.

Para explicar melhor a motivação do meio milhão da legião de seguidores da Mozilla, Dotzler fala sobre os problemas que teve quando o taxista responsável por levá-los à Unicamp indicou um prédio no campus que seria o final da viajem. Não era.

Perdidos e atrasados na Unicamp, Dotzler e Batson caminharam pela universidade até encontrar um aluno – ironicamente, estudante de engenharia e fã do navegador. Por meio de um espanhol precário, o grupo achou a sala do encontro vazia, sem qualquer estrutura e sem o professor que deveria lhe receber.

Lá vai o engenheiro novamente buscar contatos na faculdade mais próxima e, após alguns minutos, localizar o professor, que os recebe afirmando que o encontro havia sido marcado com meia hora de antecedência para que o trio conversasse com calma.

Quase 20 horas após perder sua carona, a própria comunidade havia localizado a dupla em uma cidade do interior de São Paulo a tempo de encontrar dezenas de outros entusiastas.

“É sempre assim. Quando estive em Paris com minha mulher, um estranho reconheceu minha camiseta com o logo do Firefox e veio gritando do outro lado da rua. Falei que era da fundação e ele me apontou diversos lugares que estava há horas procurando”, relembra Dotzler. “Depois, simplesmente foi embora sem falar seu nome”.

Numa espécie de serviço ao consumidor (SAC) avançadíssimo, a Mozilla se define essencialmente não como um projeto fechado, mas como uma irmandade: reconhece-se os irmãos e todos, por meios bastante diferentes, são movidos pelo mesmo entusiasmo, algo o Dotzler define como “salvar a web”.

“Sempre que você fecha uma aba sem querer ou o navegador fecha por um problema sem que você tenha salvado seu trabalho, isto machuca a internet”, fala Dotzler, usando uma exagerada figura de linguagem. “Se você quiser se identificar como da Mozilla e levar CDs para uma LAN house, faça. Vocês são da Mozilla”, completa, em claro incentivo à militância digital.

Ao invés de reuniões fechadas com grupos de desenvolvedores certificados e anteriormente autenticados pela companhia, as reuniões feitas por Dotzler e Batson são marcadas por “um caos domesticado”: não há inscrições nem lugares marcados e as portas estão abertas para quem quiser entrar e contribuir com qualquer idéia.

Com uma verba de marketing restrita às viagens que fazem para conhecer aspectos regionais de cada país onde o Firefox avança, a divulgação planejada em cada uma destas reuniões globais recai sempre nas costas dos engenheiros ou entusiastas.

Tags mais frequentes
Publicidade

Podcast

Osvaldo de Oliveira relembra entrada da Microsoft na era da internet.

Veja Mais

Personagens

Quer dar sua sugestão para
essa lista? Clique aqui.

Veja Mais

Enquete

Qual o principal hardware dos últimos 10 anos?

BlackBerry

iPod

iPhone

XO

Wii

Ver resultado