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Como a Mozilla construiu uma comunidade de 500 mil seguidores

Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 07 de julho de 2007 às 13h56
Atualizada em 18 de setembro de 2007 às 21h04

Tags: Carreira, Internet, Browsers, Microsoft, Google, Gerenciamento de equipe

São Paulo - Improvisação, paixão e abnegação. Saiba como a Mozilla, que desenvolve o Firefox, cria e envolve sua comunidade.

Asa Dotzler invade esbaforido o hotel em que está hospedado em São Paulo com duas mochilas nas costas e, ofegando, se desculpa pelo atraso no encontro, enquanto um trio toca versões em jazz de sucessos da bossa nova no bar colado ao hall.

São 21h30 da noite de uma terça-feira, último dia em que o evangelista do navegador de código aberto Firefox ficará no país.

Dotzler vem de uma viagem ao interior de São Paulo que reflete muito bem o espírito da comunidade de software livre que está ameaçando o monopólio da Microsoft na arena dos navegadores de internet.

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Na noite anterior, Dotzler e JT Batson, membro da equipe de marketing da fundação que o acompanha, deveriam ter ido de carona até Campinas, a 100 quilômetros de São Paulo, onde fariam uma palestra para estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A carona não apareceu. Na hora combinada para a segunda tentativa de entrevista, no almoço do mesmo dia, Dotzler e Batson, entre pedidos envergonhados de desculpa, pediam para cancelar o encontro para que pudessem se achar na cidade de São Paulo e tomassem um ônibus até a Estação do Tietê, onde tomariam uma condução intermunicipal para Campinas.

Foi difícil não esconder a surpresa: o responsável por orquestrar a comunidade mesclada por engenheiros, geeks e entusiastas, que começou com 12 pessoas e hoje tem mais de 500 mil seguidores e roubou 16% de participação do mercado de browser da Microsoft, desbravaria o Brasil em um ônibus.

Para chegar aos 500 mil seguidores, é preciso entender a história do Firefox, que deriva do código-fonte do Netscape, o navegador que chegou a ameaçar o domínio da Microsoft na internet durante a década de 90.

asa_comunidadePrestes a entrar na Universidade de Stanford, Blake Ross, então um estudante de 15 anos, se juntou ao amigo Dave Hyatt e apresentou à comunidade, até então reduzida a programadores e entusiastas órfãos do Netscape, seu projeto.

Em 2002, chegava à internet o Phoenix 0.1, navegador de código aberto que tinha interface gráfica Gecko e, segundo admitiu Rossa na época, seria tão fácil que até seus pais poderiam usar sem problema. No ano seguinte, por problemas jurídicos, o software mudou de nome para Firebird e, finalmente, para Firefox, em 2004.

Comunidade mesclada

A diferença da comunidade Firefox para outras de desenvolvedores começa aí. Com um cérebro assumidamente incapaz de programar, Dotzler percebeu que poderia ajudar a melhorar o software que tanto admirava apenas reportando falhas para os engenheiros, que corrigiram as falhas.

Em 1998, quando a primeira versão do navegador bolada pela comunidade que usava o código-fonte do Netscape chegava à web, ele era um dos únicos a assumir a tarefa.

“Comecei a ajudar outras pessoas que queriam enviar avisos de falha no formato exigido pelos engenheiros. Um dia, percebi que cerca de 10 mil pessoas baixavam e reportavam falhas diariamente e ganhei muito do crédito por isto”, relembra Dotzler. “Abrimos as portas para qualquer um que queira ajudar. Foi ali o começo da comunidade Firefox”.

Foi ali, também, o início da escalada do Firefox contra o Internet Explorer. De novembro de 2004 até hoje, o IE caiu de 96% para menos de 80%, segundo vários indicadores independentes. É muito ainda, é verdade.

Dados oficiais da Mozilla apontam que o Firefox conta com participação mundial de 16% do mercado de navegadores.

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