Reportagens
As 10 inovações que marcaram os últimos 10 anos
Por Paulo Rebêlo, especial para o IDG Now!
Publicada em 07 de julho de 2007 às 13h56
Atualizada em 18 de setembro de 2007 às 21h04
Tags: VoIP, Mobilidade, Internet, Streaming media, E-commerce, Mensagem instantânea, Sistemas de busca, Tocador digital de música, Telefones
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Comunicação sem fio
Há trabalhos e pesquisas sobre comunicação sem fio desde o século XIX, com os estudos sobre as ondas eletromagnéticas. No entanto, do ponto de vista prático e comercial, foi apenas na primeira metade dos anos 90 que surgiram as primeiras reportagens sobre a viabilidade das redes sem fio para o usuário doméstico.
Naquela época, parecia uma previsão para longe e, de fato, as redes sem fio demoraram bem mais do que o previsto para cair no gosto dos usuários. Hoje, não apenas é possível ter estações de trabalho dentro da empresa sem o uso de fios, como é comum a conexão wireless proporcionar velocidades de acesso à internet bem mais rápidas do que a média existente nas conexões com fio, seja por linha discada ou até mesmo por banda larga em ADSL ou cabo.
A conexão Wi-Fi ainda engatinha no Brasil para se conectar à internet, onde apenas Rio de Janeiro e São Paulo lideram entre as cidades brasileiras com número razoável dos chamados "hot spots", onde você pode abrir seu notebook e já navegar na rede.
Nas outras capitais, o Wi-Fi ainda demora a se popularizar, enquanto o mercado aguarda as delimitações para o WiMax, uma tecnologia ainda melhor e mais rápida para transmissões sem fio de alta velocidade, que podem chegar onde a infra-estrutura terrestre não consegue alcançar.
VoIP
Um computador e uma conexão internet é tudo o que você precisa para mudar seu comportamento diante de um aparelho telefônico. Com a tecnologia de voz sobre IP (do inglês, "voice over IP"), qualquer um pode usar a rede para conversar por voz, do mesmo jeito que se bate um papo nos mensageiros.
Mas o VoIP é muito mais do que conversas paralelas. Além de permitir ligações gratuitas entre PCs, novos serviços permitem usar o computador para ligar para telefones convencionais e celular, pagando menos da metade do que você pagaria para sua operadora telefônica. E nem precisa de banda larga, porque mesmo com conexão discada a qualidade de voz é razoável, se não houver ruídos na linha.
O processo é bem simples: a voz da pessoa é convertida em pacotes digitais e, na outra ponta, o receptor escuta pelo telefone. Tudo em tempo real. Todo o material necessário, além da conexão internet, é um microfone e, se você quiser mais clareza no áudio, um fone de ouvido.
Aos poucos ganhando força para usuários domésticos, o maior lucro do VoIP vem do uso corporativo, com empresas mudando toda a infra-estrutura de telecomunicações para VoIP, cujo custo sai muito mais barato. Com o crescimento da telefonia IP para usuários domésticos, as operadoras reclamam, mas aos poucos inventam novas possibilidades para também gerar receita a partir da tecnologia.
Busca
Como se encontrar em meio aos bilhões de páginas disponíveis na internet? Nada evoluiu tanto como os mecanismos de busca. De diretórios organizados manualmente por pessoas, como começaram os fundadores do Yahoo, Jerry Yang e David Filo, aos ‘robôs’ que varrem a web atualmente, em busca de novas atualizações. A sociedade da busca está apenas no começo, escreveu John Battelle, em seu livro “A Busca”.
A importância da busca na atual sociedade está crescendo. Primeiro, porque os mecanismos, como o Google, Yahoo e MSN, estão se transformando nas páginas iniciais dos usuários para navegar pela internet. Segundo porque, como define Battelle, estão criando um grande "banco de dados de intenções”. Quer saber o que pensa uma sociedade? Veja o que ela está buscando.
Os bancos de dados de Google, Yahoo e Microsoft, para citar os três maiores, entendem os hábitos dos internautas, suas preferências, os sites que visitam, as palavras que digitam e os serviços que acessam. Com isso, oferecem publicidade associada ao resultado da busca, os chamados links patrocinados.
Ao contrário do que muitos pensam, não foi o Google quem inventou os links patrocinados. Foi Bill Gross, um norte-americano que fundou a GoTo.com, que depois virou Overture, empresa comprada pelo Yahoo. O Google apenas aperfeiçoou a idéia de Gross.
Mídia social: blogs, podcasts, redes sociais e wikis
O sucesso do Orkut no Brasil é apenas um reflexo de um fenômeno que já vinha de longe, desde a primeira metade dos anos 90 com o início da febre dos blogs. Foi quando os diários virtuais passaram a representar o auge da informalidade na internet, com as pessoas querendo contar experiências pessoais e se mostrando para o mundo.
Tema recorrente em estudos atuais de psicólogos, a mídia social tem rompido fronteiras e questionado padrões sobre relacionamentos, sejam eles online ou offline. Com os wikis, que ganharam notoriedade por ser um sistema simples de colaboração online utilizado na enciclopédia online Wikipedia e projetos afins, as pessoas deixam de ser consumidoras de conteúdo e passam a ser geradores de conteúdo com um caráter menos pessoal dos blogs e mais próximo da profissionalização.
Com o uso de podcasts, é possível ouvir e fazer entrevistas, além de hospedar seu próprio programa radiofônico de novidades para que qualquer um escute no iPod ou qualquer outro tocador de MP3. Hoje, as redes sociais servem para aproximar as pessoas, mas também para abrir possibilidades comerciais, profissionais e até gerar novos conceitos para o mercado publicitário. E o Orkut é apenas a ponta do iceberg.
Streaming de vídeo
A tecnologia que permite assistir a vídeos pela internet não é exatamente nova, mas nunca funcionou direito por diversos motivos. Seja pela programação ruim ou pela falta de velocidade nas conexões, o streaming de vídeo foi, por anos, restrito a pequenos trechos de programas ou, quando muito, trailers de filmes que entrariam em cartaz.
Com o aumento exponencial da largura de banda e da velocidade nas conexões caseiras, os vídeos para visualização em tempo real ganharam força a ponto de aparecer uma iniciativa como o YouTube, um dos sites mais valorizados e com maior audiência atualmente. Como ousadia sempre foi um ponto-chave na internet, hoje há diversos empreendimentos para assistir a filmes inteiros por streaming, mediante o pagamento de um valor estipulado ou mensalidade que dá direito a filmes de catálogo.
No Brasil, mesmo com as limitações de banda e o grande número de usuários em linha discada, o YouTube é um dos grandes sucessos nos dois lados: quem assiste aos vídeos e quem produz para mandar vídeos para o site. Seguindo a onda, vários portais brasileiros lançaram projetos parecidos, geralmente vinculados a outros serviços já disponíveis.

